domingo, 9 de dezembro de 2012

À Noite

Se tivesse de escolher entre uma vida sem sentir ou uma vida eterna, escolheria uma vida sem sentir. Porque uma vida eterna a sentir, seria demasiado tortuoso.

Before Sunrise

Daydream delusion, limousine eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm a delusion angel
I'm a fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Lodged in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ambivalência

Era suposto eu dizer alguma coisa.
Era suposto eu fazer alguma coisa.
É uma ambivalência tremenda entre o que se quer e o que se sente.
Talvez pelo cansaço,
talvez pela saúde.
Hoje vou ficar calada.
Respeitar o silêncio que resta,
dentro de mim.
Não é muito,
nem muito sólido.
Mas é o que tenho.
Já lá vai o tempo em que achava que falar valia a pena.
Hoje é um esforço,
amanhã será pior.
Resta-me o silêncio,
que vou prepétuar.
Hoje,
agora e
amanhã.
Para sempre, será de mais.

domingo, 14 de outubro de 2012

Se o Fizesse Morria

Se chorasse não sairíam lágrimas. Mas como não choro, elas caem.
Escorrem insalubremente por uma pele que não sente, mas que sabe.
Resta o movimento cognitivo que de tudo tem representações. O resto foi.. Foi mesmo.
Sinto o que passou,e o que não vai passar. Agora, estou sem tacto.
Sentir, não se pode. Se o fizesse, morria.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Safety

Uma migalha.
O que é uma migalha dentro de uma padaria?
É uma metáfora tonta, para uma coisa que é tão profunda e que dói tanto.
Conhecer a matéria como se fosse sua e saber-lhe os limites, saber-lhe as virtudes. Mas sabe que não aguenta, sabe que o impacto é enorme porque já o sente, mas com a esperança de voltar atrás.
Uma migalha protegida é feliz, aliás nem conhece a possibilidade de não o ser. Uma migalha desprotegida, desintegra-se só de olhar à volta. Não olha, esconde!
Respira contigo e sozinha... Há-de passar.
Fica na esperança de voltar a ter quem olha, quem olhou por si, porque era tão bom.
Uma migalha não se apercebe do seu tamanho até ter de enfrentar o vento, a poeira. Mistura-se, imita, desintegra-se, desfaz-se, some.
Outrora tão sossegada e apaparicada, que por se dar mal contente mandou embora o que a fazia feliz. Um escudo. Mas só o soube assim, quando este se foi, nunca se apercebeu que teria sido poupada e cuidada como agora talvez nunca mais volte a ser. Ou por outra, igualmente.
Era mel, doce. Tinha o amargo do café, mas a luz de um luar. Era volátil e efémero.
E quem não soube cuidar, é quem "paga" agora. Porque julgar tudo seu, é uma ilusão confortável e tola em que só os mais cegos podem acreditar... esses e as migalhas que de si não têm noção.
Olho o mundo!
Escondo, fujo, reclamo e defendo com ataque aquilo que não tem sentido. Prefiro saber, prefiro ver.
Dói.
Não é meu direito, não é meu segredo.
Não tem defenição, apenas sei que o que passou não foi uma ilusão.
Era protecção, de carinho verdadeiro com caminho sem direcção. Foi.
Quando um escudo parte, mesmo que regresse, igual não fica. Ainda bem!
Espera esta migalha crescer, fortalecer, amadurecer para num escudo se tornar, talvez os papeis se invertam e aí eu vou dizer que quem "paga" é quem cuida.
É um ciclo vicioso que não descansa nem tem término.
Há medo. Medo por não conseguir voltar, medo por ja ter passado.

Tudo coabita num Olhar.                     

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Poema - Devaneio

É mais privado
do que vivido.
Aquilo, que por ti não foste.
Só mostra o quanto quiseste
e, desapareceu.

Morreu sem dó,
por um viés, viu.
Aquilo que de ti não foste,
aquilo que fugiu.

O que foi cortado,
já não é mostrado.
Ardeu numa chama.
Em volta de lama

Sucumbiu no Inferno,
ardeu na Saudade.
Resta uma cama
vazia de esperança.

Eterna ambiguidade
suportada por distâncias,
ingénuas como crianças.
Deixaste-me...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ao Ivan

Porque seis dias passaram e nada eu conseguira transpor para o papel.
É uma dor e uma tristeza que não conhecia, tão grande e tão maciça mas ao mesmo tempo feita de nada.. Invade o dia de todos aqueles que de uma forma ou de outra se deixaram encantar pela pessoa que era, alegre, sorridente, trautreando canções todo o dia, o dia todo..

Nunca pensei que o silêncio de uma guitarra se senti-se tanto.

Obriguei-me a escrever, já que prefiro ignorar e não perceber ou tentar não perceber o que aconteceu. Mas a negação torna-se facilmente mentira quando entro naquele bar à tarde e nem um burburinho se ouve. Lágrima.

Existem músicas que não consigo ouvir sem tentar lembrar-me da sua voz e do seu jeito de as cantar. Tenho medo por todos os que me encantaram, como é possível perder assim uma pessoa sem indício prévio..

Viverá na minha memória sempre.
Agora aprenderei à força o que é a saudade.. porque nunca mais voltará.

Que descanse em paz.