Uma migalha.
O que é uma migalha dentro de uma padaria?
É uma metáfora tonta, para uma coisa que é tão profunda e que dói tanto.
Conhecer a matéria como se fosse sua e saber-lhe os limites, saber-lhe as virtudes. Mas sabe que não aguenta, sabe que o impacto é enorme porque já o sente, mas com a esperança de voltar atrás.
Uma migalha protegida é feliz, aliás nem conhece a possibilidade de não o ser. Uma migalha desprotegida, desintegra-se só de olhar à volta. Não olha, esconde!
Respira contigo e sozinha... Há-de passar.
Fica na esperança de voltar a ter quem olha, quem olhou por si, porque era tão bom.
Uma migalha não se apercebe do seu tamanho até ter de enfrentar o vento, a poeira. Mistura-se, imita, desintegra-se, desfaz-se, some.
Outrora tão sossegada e apaparicada, que por se dar mal contente mandou embora o que a fazia feliz. Um escudo. Mas só o soube assim, quando este se foi, nunca se apercebeu que teria sido poupada e cuidada como agora talvez nunca mais volte a ser. Ou por outra, igualmente.
Era mel, doce. Tinha o amargo do café, mas a luz de um luar. Era volátil e efémero.
E quem não soube cuidar, é quem "paga" agora. Porque julgar tudo seu, é uma ilusão confortável e tola em que só os mais cegos podem acreditar... esses e as migalhas que de si não têm noção.
Olho o mundo!
Escondo, fujo, reclamo e defendo com ataque aquilo que não tem sentido. Prefiro saber, prefiro ver.
Dói.
Não é meu direito, não é meu segredo.
Não tem defenição, apenas sei que o que passou não foi uma ilusão.
Era protecção, de carinho verdadeiro com caminho sem direcção. Foi.
Quando um escudo parte, mesmo que regresse, igual não fica. Ainda bem!
Espera esta migalha crescer, fortalecer, amadurecer para num escudo se tornar, talvez os papeis se invertam e aí eu vou dizer que quem "paga" é quem cuida.
É um ciclo vicioso que não descansa nem tem término.
Há medo. Medo por não conseguir voltar, medo por ja ter passado.
Tudo coabita num Olhar.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Poema - Devaneio
É mais privado
do que vivido.
Aquilo, que por ti não foste.
Só mostra o quanto quiseste
e, desapareceu.
Morreu sem dó,
por um viés, viu.
Aquilo que de ti não foste,
aquilo que fugiu.
O que foi cortado,
já não é mostrado.
Ardeu numa chama.
Em volta de lama
Sucumbiu no Inferno,
ardeu na Saudade.
Resta uma cama
vazia de esperança.
Eterna ambiguidade
suportada por distâncias,
ingénuas como crianças.
Deixaste-me...
do que vivido.
Aquilo, que por ti não foste.
Só mostra o quanto quiseste
e, desapareceu.
Morreu sem dó,
por um viés, viu.
Aquilo que de ti não foste,
aquilo que fugiu.
O que foi cortado,
já não é mostrado.
Ardeu numa chama.
Em volta de lama
Sucumbiu no Inferno,
ardeu na Saudade.
Resta uma cama
vazia de esperança.
Eterna ambiguidade
suportada por distâncias,
ingénuas como crianças.
Deixaste-me...
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