segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Fascínio

Se pensarmos na civilização humana... Mesmo no início da humanidade, o quão fantástico não é admirar o que atingimos?
Não tínhamos nada a mais que qualquer outra espécie animal.
Aprendemos a construir casas para nos abrigarmos e protegermos, a fazer roupas para não morrermos de frio nem sofrer com o pudor. Arranjámos artefactos como o garfo e a faca para não comermos à mão. Bem antes disso desenvolvemos uma forma de comunicar, criámos vários idiomas, aprendemos sobre os astros e sobre as marés. Admirámos a Lua de uma forma quase romântica como se Deus vivesse lá. Não sei se era assim, mas eu imagino dessa forma.
Imagino também que todo o crescimento advém do desejo de melhorar a qualidade de vida. A falta que sentíamos, como espécie humana, circunscreveu as nossas necessidades.
Mas passámos de um almejar qualidade de vida (que alguns a consideram como) para obrigar todo e qualquer ser civilizado a cumprir e a viver segundo determinados pressupostos. Hoje em dia somos vacinados obrigatoriamente, nem sequer questionamos se para além da possibilidade de adoecermos, perdemos outras faculdades talvez mais sensitivas.
A tecnologia é absolutamente fantástica, no entanto é completamente assustador que a maioria das crianças que nasceram após o ano 2000 saibam o que é um "tablet" mas não saibam que a Terra só produz batatas uma vez por ano. É bem provável que nem o saibam.. afinal de contas, no hipermercado há batatas o ano inteiro.
Começamos a comer, cada vez mais, alimentos processados e produzidos artificialmente.
Aquilo que a espécie humana alcançou e continua a alcançar deixa-me fascinada, no entanto também me assusta. Será que após a cura para o cancro, aquilo que vamos conseguir são tumores ainda maiores?

Tenho esperança que não e que aquilo que é natural venha novamente desempenhar uma forte influência na experiência humana.