Exprimirmo-nos num idioma que não é o nosso é tão fácil... as palavras escorregam com uma facilidade improvável. As ideias deslizam como se minhas não fossem. Dou comigo a pensar noutros idiomas, mas será que é assim tão mau admitir a vida, os dias, o presente, o passado e pensar o futuro!??
Acordo todos os dias à espera da diferença, a diferença encontráda é apenas no menu do almoço e do jantar, toda uma rotina entediante se gera e se apodera do meu ser sem que me dê conta. As fraquezas encontradas seja no sono do dia ou no sonho da noite passam entrelaçadas apenas na mente de uma criatura pequena e minguada que cada dia corta um bocadinho de si para não parecer mal, para não intimidar, para não sair do baralho... ou por embaraço? falta de vontade? vergonha? Num mundo onde é incentivada a diferença e a mudança, onde esses comportamentos apregoados aos sete ventos quando explícitos, apenas uma onda de marginalização, julgamento e desdém se abate nos corajosos que de si próprios não se escondem. Viver numa farsa, num mundo de engodos em que o parecer dos outros me consome... numa vida em que nela poderes e direitos de decidir não tenho... esgotam-se as opcções... cresce uma frustração gigante que me afoga no quotidiano. Escrevendo textos sem aprente sentido me entretenho, na sombra do anonimato permaneço sem problemas, pois ao menos neste estado abstrato do mundo emerge de mim uma personalidade dúbia que eu própria não domino. Inebriada por dúvidas e questões que o mundo não está disposto a responder, continuarei.
Um dia de cada vez, na sombra de uma realidade simplista e redutora que me força a esconder de mim própria as maiores e mais pequenas nuances do Ser.
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