terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Derramar

E pensar que este dia nunca chegaria. O dia de bater no fundo.
No fundo não digo, mas na parede é certo.
Não escorrem lágrimas porque já não existem, estão secas.
De tantas vezes a jorrar pelo mesmo assunto no silêncio do incógnito... nem elas sabiam o sofrimento que carregavam.
Agora não escorre nada, nem uma gota. Está tudo no interior gaseificado. Enche... Enche..
Inchou.
Frevor na barriga, cócegas por dentro. Cócegas não, porque cócegas é bom. É algo mau, inquietante. Não controlo. Dormir.....
Hà qualquer coisa que me faz desacreditar de mim. Não gosto.
é tão estranho, foi algo que nunca me ocorreu. E agora?
Não presto? Sou falsa no que sinto e na forma de agir? Não acredito. Secalhar minto a mim própria. Aí sim, aí a responsabilidade seria toda minha. Perdi a confiança.
Sou um lago de águas paradas e mornas onde vida não surge e tudo o que existe morre. Morreu.
Existem uns resquícios que se vão unindo e talvez um dia criem forma, hoje estão despedaçados, talvez até desintegrados, os pedaços de confiança que emergiam de mim. Socorro.
Quero ajuda..
Agradeço este pensamento que pelo menos arranja forma de se expressar.. é verdade, escrever alívia. Alívia mas não resolve. Quero tentar.
Há motivos para emergir e seguir caminho. Gostava de ter essa força.
A confiança foi, mas umas résteas de coragem e força seguram a base do que já existe, antiga.
Sempre soube que existiam várias formas de partir um coração, pensava que a paixão era a mais forte.

Enganei-me.

1 comentário:

  1. Bater no fundo (ou na parede) por vezes é necessário para se perceber o que se sente (e que não é falso) e voltar a construir tudo de novo, com uma base mais sólida.

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