Seria tão mais fácil escrever isto em inglês.. Talvez porque será vivido noutra língua e por agora, fora o português, a língua inglesa seria a minha única possibilidade.
Ora bem, em 4 anos, 4 dias de viagem (imagino que com várias paragens). 3 anos de vida.
Com rígidos limites de que sofro há nesta possibilidade uma infindável probabilidade de não controlar por um segundo aquilo com que sonho. Que seja, acho que será mesmo essa a ideia.
Destino fixo, é certo. Pelo meio o que importará será a presença na viagem e não a pressa de chegar. Isto porque não tenho onde chegar. Certamente que as casas, as árvores e a vida mundana não vão fugir por sequer imaginar que um dia a minha pessoa descerá no cais do comboio com uma única fixação - viver.
Controlada e bem controladinha como sou, há pormenores que não ficarão em mãos alheias, os outros o destino que se ocupe deles.
É estranho em mim esta vontade, este desejo. Mas neste momento, se me queixava que já não tinha sonho ou que não vislumbrava uma vida completa ou que nem sequer me via a gostar de cada dia da minha vida, acordei (não do sono) e senti um alvoroço dentro de mim. Se falhar, paciência.
O engraçado é que não há nada para falhar, porque não há nada para dar certo. Acho que essa é a minha certeza mais profunda.
Não imagino o que daí virá.. imagino sim paragens que por momento possa ter. Momentos que serão etéreos da minha consciência em que o mundo ao meu redor irá parar e aí ou me levará até ao infinito das sensações corriqueiras ou se a minha memória me quiser castigar saberá muito bem quem meter diante dos olhos da minha alma.
Existe medo.. o medo de que o lugar do comboio tenha um nome escrito na minha mente que obviamente não vai corresponder, porque não vai haver ninguém, porque não é suposto haver ninguém. Eu serei ninguém se me permitir a isso.. com toda a arrogância que habita em mim, talvez esse seja o maior desafio, chegar a ser ninguém.
Quando cheguei ao ensino secundário, só o queria acabar. A meta, faculdade. Quando cheguei à faculdade, só queria acabar a licenciatura. Quando acabei a licenciatura a meta era ingressar no mestrado. Pois bem, cá estou com a única certeza de que tenho dois estágios para fazer e uma tese, o resto seria a vidinha. E tenho mais que claro e óbvio em mim, que a vidinha é o que eu não quero.
Talvez muito mais confortável e estável do caminho a que me proponho, mas não é um sonho, não me mantém viva. Uma vez surgiu já não sei se em conversa, se em pensamento que os seres humanos vivem dos sonhos e que quando conseguem atingir um, arranjam outro. Ou quando desistem do que não conseguem, bem, aí haverá a depressão ou um ajustamento e a criação de novos sonhos.
As ambições penso que são alvo de mudança também.. Riu-me enquanto escrevo isto porque de facto só mesmo para rir.
Eu.
Liberdade não é desinteresse, sentir-se livre de algo não é estar a borrifar-se. Para mim mais se aproxima do respeito que é necessário para deixar os acontecimentos brotarem, se não for dentro de nós, que seja à nossa volta.
Há algo em mim a brotar, espero que não morra com a adversidade e com a espera. Adoraria viver os seus frutos.
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