Entre o que de mim penso e o que sou
está o que pelos outros sou pensado
E como de todos sou todos e cada um, deles não sou nenhum.
E como se estes espelhos múltiplos não bastassem
ainda falta o que penso que de mim os outros pensam
E o que gostaria que de mim os outros pensassem.
E como de mim e dos outros sou o que eu e os outros me inventam
sou uma múltipla abstracção
Sou o inexistente que me penso e os outros me pensam!
Valter Guerreiro
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